
O texto abaixo é uma transcrição das primeiras páginas do livro de Robert Fulghum, intitulado “Tudo que eu devia saber na vida aprendi no Jardim de Infância”, obra em que o escritor “diplomado em contação de histórias” como o próprio brinca, faz um apanhado de lições ao longo de sua vida, reunidas em escritos despretensiosos, mas que lhe renderam um livro.Fiquei encantada.Compartilho então.
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[...] Já faz muitos anos que, a cada primavera, imponho-me a tarefa de fazer uma declaração pessoal de fé – de compro um Credo. Quando era mais jovem, meu Credo ocupava páginas e páginas, de tanto que me preocupava em cobrir todas as áreas, sem deixar nada pendente. Era como se tivesse de produzir uma espécie de sentença da Suprema Corte; como se, com palavras, pudesse resolver todos os conflitos sobre o sentido da existência.
Com o tempo, o Credo foi encolhendo. Às vezes acaba soando cínico, às vezes cômico, às vezes sereno, mas continuo trabalhando nele. Recentemente resolvi que tinha de fazê-lo caber inteiro em uma única página e que só podia usar palavras simples, mesmo sabendo que corria o risco de parecer idealista e ingênuo.
A idéia de procurar ser breve, verdadeira inspiração, ocorreu-me num posto de gasolina. Estava abastecendo meu velhíssimo automóvel com a gasolina mais pura, de alta octanagem. Combustível de luxo. O carro protestou: começou a ratear nos cruzamentos, vazava combustível pelas esquinas. Eu logo entendi o que estava acontecendo. De vez em quando me sinto assim, como o tanque de meu carro. Excesso de informação, excesso de complexidade, e eu é que começo a ratear pelas esquinas – um ratear existencial pelos cruzamentos da vida, justamente nos locais e horas em que tenho de tornar as mais difíceis decisões, e inevitavelmente descubro que ou seu demais, ou sei de menos. Quanto mais penso sobre a vida, mais me convenço de que ela não é um piquenique.
Foi quando descobri que já sei praticamente tudo o que é necessário saber para viver com dignidade – o quê, afinal, não é assim tão complicado. Já sei quais são as coisas que realmente contam. E de fato sei há muito tempo, porque tenho vivido essas coisas. Sim, claro que viver já são “outros quinhentos”. Eis o meu Credo:
Dividir tudo com os companheiros.
Jogar conforme as regras do jogo.
Não bater em ninguém.
Guardar os brinquedos onde os encontrava.
Arrumar a “bagunça” que eu mesmo fazia.
Não tocar no que não era meu.
Pedir desculpas, se machucava alguém.
Lavar as mãos antes de comer.
Apertar a descarga da privada.
Biscoito quente e leite frio fazem bem à saúde.
Fazer de tudo um pouco – estudar, pensar e desenhar,
pintar, cantar e dançar, brincar e trabalhar, de tudo um pouco, todos os dias.
Tirar uma soneca todas as tardes.
Ao sair pelo mundo, cuidado com o trânsito, ficar sempre
de mãos dadas com o companheiro e sempre “de olho” na professora.
Pense na sementinha de feijão, plantada no copo de plástico: as raízes vão para baixo e para dentro, e a planta cresce para cima – ninguém sabe como ou por quê, mas a verdade é que nós também somos assim.
Peixes dourados, porquinhos-da-índia, esquilos, hamsters e até a semente no copinho plástico – tudo isso morre. Nós também.
E lembre-se ainda dos livros de histórias infantis e da primeira palavra que você aprendeu, a mais importante de todas: Olhe!
Escolha um desses itens e o elabore em termos sofisticados, em linguagem de adulto; depois aplique-o à vida de sua família, ao seu trabalho, à forma de governo no país, ao seu mundo, e verá que a verdade que ele contém mantém-se clara e firme. Pense o quanto o mundo seria melhor se todos nós – o mundo inteiro – fizéssemos um lanche de biscoitos com leite às três da tarde e depois nos deitássemos, sem a menor preocupação, cada um no seu colchãozinho, para uma soneca. Ou se todos os governos adotassem, como política básica, a idéia de recolocar as coisas nos lugares onde estavam quando foram retiradas; arrumar a “bagunça” que tivessem feito.
E é verdade, não importa quantos anos você tenha: ao sair pelo mundo, vá de mãos dadas, e fique sempre “de olho” no companheiro.
(Texto de Robert Fulghum, autor do livro que dá nome ao post)
OI QUERIDA
ResponderExcluirvim te convidar para participar do sorteio de flores de cabelo no meu blog...
bjos
http://ensinandoatravesdaarte.blogspot.com/
Ola! Tudo bem?
ResponderExcluirPatricia, este ano estou participando do TOP BLOG 2012 e conto com o seu voto.
Vote clicando no selo que esta na lateral do meu blog.
Agradeço!
Beijinhos carinhosos!
Muito bom seu blog.Capas de Caderno
ResponderExcluirAvaliacoes-de-Portugues
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